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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  10/11/2007
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Agricultores familiares de Maringá ganham força
Projetos incentivam pequenos produtores a se unirem e, em parceria, fazerem diferença na economia do município
Agricultores familiares de Maringá ganham forçaDamaris Santos
Dados da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) de Maringá, relativos a este ano, mostram que a região, e principalmente o município são formados por pequenas propriedades agrícolas e quase todas administradas por famílias. Maringá possui área de aproximadamente 48 mil hectares, destes 32 mil hectares são utilizados com agricultura e dos 1.560 proprietários, 1.290 são pequenos. No entanto, de acordo com especialistas, é necessário que se explore mais potencial econômico desses produtores e, por isso, muitos projetos nesse sentido vêm sendo desenvolvidos.

Jorge Ogassawara, técnico da Emater afirma que a principal diferença entre a agricultura familiar e a tradicional está ligada ao trabalho. "Geralmente, na familiar, como o nome já diz, o trabalho é realizado pela família com contratação de pouca mão-de-obra. Na outra situação, o trabalho é executado exclusivamente por mão-de-obra contratada, sem a participação da família no trabalho da propriedade."

De acordo com a gerente de Produção Agropecuária da Semaa (Secretaria do Meio Ambiente e Agricultura), Rubia Irma Sales, em Maringá existe um projeto voltado para a agricultura familiar que atualmente engloba outros quatro projetos: a Agroindústria Familiar, o Parceiros Orgânicos, a Fruticultura e o Pró-Amusep Leite. É vinculado à Pró-Amusep (Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense) " que envolve 30 municípios " e em parceria com as prefeituras da região e organizações, como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a Seab (Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento) e a Emater. "A população precisa tomar conhecimento de que esses agricultores existem; conhecer o que eles fazem, porque todos fazem produtos com qualidade. Os consumidores precisam entender a importância disso e darem o merecido valor ao produto, porque existe um valor agregado a estes produtos, além da importância social."

Quando o tema é agroindústria familiar, Rubia Sales afirma que é extremamente importante apoiar os produtores que fazem parte das diversas cadeias produtivas (leite, cana-de-açúcar, fruticultura, olericultura, entre outras), pois deste modo estimulam a economia local e regional.

De acordo com Joaquim Nereu Girardi, engenheiro agrônomo da Emater, em âmbito Nacional o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), tem sido de grande importância para os pequenos produtores maringaenses, porque o programa, que empresta dinheiro como financiamento para o agricultor para que pague conforme a safra do produto escolhido, tem papel crucial na economia do município.

"Se formos analisar bem, um financiamento em um banco não sai com juros por menos de 18%, ao ano. O juro cobrado em cima do Pronaf é pouco, é para ajudar mesmo o pequeno agricultor", afirma Guardi. "A grande vantagem é a taxa de juros subsidiada e a facilidade na obtenção dos recursos", concorda Jorge Ogassawara. Ele ressalta ainda que a fiscalização nos terrenos é feita pela Emater, quando o produtor faz os projetos, também pelas agências financeiras e principalmente pelo próprio MDA e Ministério Público.

"Quanto ao resultado, no momento não posso quantificar, mas em Maringá acreditamos que são realizados em média 50 planos de financiamento por ano para beneficiar os agricultores familiares."


Feira livre esgota parte
da agricultura familiar


Quase metade dos feirantes consomem produtos cultivados por pequenos agricultores, que trabalham com a ajuda da família


Daiane Siqueira
Hoje, em Maringá, há aproximadamente 35 feiras por semana, divididas em Feira do Produtor, Feira Livre, Feira Verde e Feira Pôr-do-Sol. Todas possuem o mesmo objetivo, levar frutas, verduras, legumes, doces e salgados para os consumidores.

O dia-a-dia de um feirante não é nada fácil. Começa bem cedo, ainda de madrugada, na hora de colher as verduras fresquinhas ou de lavar as frutas colhidas. Mas esse cenário vem se modificando, o pequeno agricultor está ganhando espaço e se tornando fornecedor.

Muitos feirantes não são mais produtores. Têm de acordar cedo, mas é para receber ou comprar algum produto que falte. O "corre-corre" não permite que o feirante se dedique totalmente ao cultivo, a não ser que ele possua vários funcionários, o que se tornará muito caro.

A alternativa é recorrer aos produtores, mas não àqueles grandes, que trabalham com produtos para exportação, e sim àquele homem simples, que trabalha com a família.

Mario Mituo, 34, é presidente das feiras Livre e Pôr-do-Sol e afirma que nelas, 70% dos vendedores não cultivam o que vendem. Eles recorrem à Ceasa (Central de Abastecimento) de Maringá ou aos pequenos produtores que muitas vezes já deixam o produto quase pronto para o consumo, lavado e embalado.

Ainda segundo Mituo, as duas maiores feiras da cidade são a do Produtor, realizada no estacionamento do Estádio Willi Davids, às quartas a noite e aos sábados de manhã, e a Livre, da Avenida Mauá, realizada todos os domingos de manhã. As duas funcionam com 154 barracas cada uma.

A Feira Verde e a do Produtor são as que mais têm pequenos produtores, aproximadamente 90%. Mas como já foi dito anteriormente o cenário está em plena mudança no começo, todos eram produtores.
Só para se ter uma idéia e Feira Livre completa em dezembro 55 anos, e por ali já passaram três gerações.

Regina Ribeiro, 56, trabalha com uma barraca de verduras, frutas e ovos, na Feira Livre há 24 anos e confessa que sempre buscou produtos na Ceasa. Os ovos vêm de granjas de pequenos produtores. "No início era tão difícil, ter de ficar esperando a Ceasa abrir às 3 da manhã e depois arrumar tudo para correr para feira."

Luciano Violato, 47, é um pequeno agricultor que também trabalha na Feira Livre. "Não posso estar todo dia na feira, tenho de cuidar da horta, ela precisa ser bem aguada, bem cuidada para que o produto chame a atenção dos fregueses."

Mario Mituo afirma que é melhor deixar de fazer feira alguns dias da semana e cuidar do cultivo, porque pode-se plantar 10 vezes mais e consegue-se esgotar a produção vendendo para os colegas que fazem feira todos os dias.

Regina Ribeiro trabalha na feira diariamente, e na terça ainda trabalha o dia todo. "Antes meus filhos ajudavam, tínhamos três barracas, mas eles casaram tomaram outro rumo. Agora tenho só essa banca e trabalhamos eu e meu marido."

Imagem/http://www.pi.gov.br/materia.php?id=22013
Famílias agrícolas são beneficiadas em programas de apoio

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  Autor: Damaris Santos e Daiane Siqueira, 3º jornalismo


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