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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem

  08/09/2007
  2 comentário(s)


Comerciantes preferem nomes em inglês

Não apenas em Maringá, mas no Brasil de modo geral, o estrangeirismo é utilizado em estabelecimentos comerciais

Comerciantes preferem nomes em inglêsWilame Prado
De nada adiantou o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) ter desenvolvido o Projeto de Lei 1.676/1999 que restringe o uso de palavras estrangeiras, aprovado na Câmara em março de 2001. O projeto permanece em tramitação no Senado Federal e hoje o uso de palavras estrangeiras está cada vez mais comum. Em Maringá, assim como na maioria das cidades brasileiras, pode-se constatar que é grande o número de estabelecimentos comerciais que utilizam palavras estrangeiras como nome.

Para Edson Beiser de Melo, 26, que já lecionou e hoje gerencia uma escola de inglês em Maringá, o uso de palavras estrangeiras no comércio deve ser encarado como um processo natural, já que a língua é dinâmica e está sujeita a mudanças. "Não incentivamos essa apropriação da língua, tanto é que o nome da escola foi feito com palavras em língua portuguesa. Mas, encaramos como um processo natural e por isso preparamos os alunos para lidarem com isso", diz Melo.

O gerente da escola de inglês, que morou algum tempo no exterior, conta que o uso de termos estrangeiros ocorre em diversos países da Europa, só que diz não concordar com alguns exageros que acontecem no Brasil. "A tradução da palavra "delete" é apagar na língua portuguesa. Porém, todo mundo usa o termo "deletar". Acho que isso é desnecessário e pode descaracterizar nossa língua."

A empresária Clélia Cordeiro é sócia de uma choperia e de uma casa noturna em Maringá cujos nomes são formados com palavras em inglês. Em sua opinião, a língua inglesa é universal e o estrangeirismo é um processo que ocorre mundialmente. "Não podemos ir na contramão. Antes de escolhermos o nome, foi feita uma campanha de mídia, por meio de uma agência publicitária, e foi constatado que a melhor opção seria utilizar termos em inglês."

Paulo Afonso Freitas é gerente de marketing de uma rede de lojas em Maringá que também tem como nome palavras estrangeiras. Freitas explica que não foi por acaso a preferência pelo nome em inglês. "Em nossas lojas, trabalhamos com acessórios esportivos que, em sua maioria, são de marcas estrangeiras presentes em quase todos os países. Além disso, quando o nome foi escolhido, levou-se em consideração que o esporte consegue unir pessoas de diferentes lugares do mundo."

"Não é colocando nomes com termos da língua portuguesa que os donos de estabelecimentos podem ser chamados de patriotas. Para mim, ser patriota é cumprir obrigações com o Estado, funcionários e fornecedores, trabalhando sempre com responsabilidade", salienta o gerente de marketing, que diz acreditar que o único jeito de mudar essa tendência de utilização de termos estrangeiros é investir na educação das pessoas, de modo que aprendam a valorizar sua própria língua.

Mesmo defendendo a utilização dos termos estrangeiros nos estabelecimentos, os comerciantes ouvidos pelo jornal Matéria Prima reconheceram que nem todas as pessoas, inclusive clientes, sabem traduzir os nomes das lojas.


Influências estrangeiras mudam o idioma


Para muitos, prova da dinâmica das línguas; para outros, baixa auto-estima do brasileiro


Victor Cardoso
Um drive thru aqui, um self service ali e o sujeito não tem como negar: o estrangeirismo tornou parte comum do cotidiano. Os termos estão sendo utilizados em comércios, instituições, roupas e até nos diálogos. Para muitos, isso é algo bastante aceitável, uma das provas de como a dinâmica com que se formam as línguas não poderia ficar alheia à globalização. Para outros é caso de auto-estima do brasileiro.

Edson Beiser de Melo, 26, gerente de uma escola de Inglês em Maringá, diz achar que esse processo de apropriação da língua estrangeira é natural. Porém, declara que os brasileiros precisam se voltar mais para as coisas do País. "O Brasil tinha de fazer terapia. Ir para o divã. Tem uma baixa auto-estima com relação ao brasileiro, um sentimento de inferioridade muito grande. As pessoas têm uma sensação de que tudo o que é de fora é melhor."

Geralmente a nomenclatura utilizada em roupas, por exemplo, é colocada para chamar a atenção do público. Mas na maioria dos casos, as pessoas não compreendem o que carregam estampado no peito. Clarice de Souza, 56, consumidora de produtos desse gênero, já passou por uma situação constrangedora. "A escrita no vestido era com uma letra linda. Resolvi comprar, mesmo não sabendo o significado. Só descobri quando, em uma festa, um amigo me chamou de gata promiscua. Pronto, eu virei a "atração" da noite. Nunca me senti tão humilhada", confessa.

Para o estudante do curso de letras Fábio Pereira de Souza, 23, o uso de tais termos no cotidiano das pessoas é culpa deles próprios. "Os americanos utilizam uma vez ou outra palavras estrangeiras, porque aprenderam primeiro a amar sua língua. Aqui deleta-se em vez de apagar, ficamos com stress, compramos freezer, fazemos cooper e buscamos uma boa performance. Já tivemos até um impeachment, e não um impedimento", brinca.

O Projeto de Lei 1.676/1999, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP), vetando o uso de palavras estrangeiras, provocou grandes debates no seio da comunidade lingüística brasileira na época. Na opinião de Edson Beiser de Melo o projeto não seria a solução para o fim desse fenômeno. "Nem o inglês está a salvo disso. Existem palavras japonesas que são incorporadas ao português e ao inglês, como a palavra Tsunami, que possui a mesma tradução, o mesmo significado."

O estudante Fábio Pereira de Souza diz que essa dança das palavras só tende a aumentar. É sempre encarada da mesma forma que acontece hoje, de duas maneiras, uma ação normal e outra destruidora do patriotismo. "É importante salientar que isso não está presente apenas em um tipo de classe social, está em todos os níveis. Só não se deve esquecer que no Brasil se fala português, understand?", finaliza.

Imagem/www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/img/lingua_...
Termos como "deletar" são desnecessários à língua portuguesa

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  Autor: Wilame Prado e Victor Cardoso, 2º jornalismo


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