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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  12/10/2007
  2 comentário(s)


Creche noturna é opção para mães maringaenses
Corujinha da XV atende 125 crianças no período das 11h30 às 22h30; a intenção é ajudar as mães que trabalham à noite
Creche noturna é opção para mães maringaensesAmanda Marques
No Paraná existem apenas duas creches que prestam atendimento durante a noite e uma delas está em Maringá. Foi instalada há um ano para ajudar as mães que trabalham no período noturno, independentemente da profissão. A outra creche noturna do Estado funciona em Curitiba, mas é restrita a filhos de catadores de materiais recicláveis.

A Corujinha da XV atende em Maringá 125 crianças de quatro meses a 5 anos. A creche fica situada no centro da cidade, como local estratégico. Thaisa Stiva, gerente municipal de educação infantil, disse que a localização facilita para os pais que deixam as crianças na creche e vão para o trabalho. "Foi feita uma pesquisa, abrimos a creche no centro justamente para atender mães que trabalham em restaurantes, lanchonetes e shoppings. A maior parte desse comércio está na área central da cidade."

Quando a creche foi inaugurada, a estrutura física era menor. A diretora da instituição, Lucília Tomazini Hoffmeister, explica que foi preciso fazer algumas adaptações. "Na verdade, antes da inauguração da creche aqui eram duas casas, tivemos de quebrar algumas paredes para ter mais espaço". Lúcia ainda afirma, que não há como aumentar o número de crianças atendidas devido ao espaço.

Segundo ela, várias mães estão aguardando vagas para que os filhos possam ser atendidos, por isso existe um processo de seleção. "A princípio todos ficam na lista de espera, quando surge a vaga nós fazemos seleção. Analisamos a renda familiar, o trabalho da mãe e as necessidades das crianças. Se tem mães que ainda não estão trabalhando e há outras que já estão, prestes até mesmo a perder o emprego, a prioridade é para essas mães empregadas", diz a diretora .

Segundo a diretora da creche a diferença da Corujinha da XV em relação às demais instituições de ensino infantil é somente o horário de funcionamento, que é das 11h30 às 22h30. "Elas [as crianças] trabalham com a parte pedagógica que é desenvolvida e planejada pela supervisora. Após às 21h30, fazem atividades recreativas porque algumas já estão cansadas. Eles assistem à filmes e também ficam brincando no pátio", completou.

Para a pedagoga Gislene Mioto Raymundo a creche não serve somente para cuidar, como também para educar. Ela ressalta que algumas crianças chegam a ficar de 12 a14 horas nas creches. "Tem de ter toda a programação de atividades específicas para as crianças, elas têm de se alimentar bem e ter horário de sono. As crianças passam pouco tempo com as mães, é importante que essas poucas horas tenham qualidade. Deve ser estabelecido um vínculo afetivo, porque isso é importante para o desenvolvimento de caráter moral, cognitivo e emocional dessas crianças."

Na Corujinha da XV as crianças ficam no máximo oito horas por dia na creche. A diretora, Lucília Tomazini Hoffmeister, explica que o motivo do tempo determinado são as poucas vagas oferecidas. "Se a criança ficar sete ou 8 horas na creche, podemos atender mais crianças em outros períodos." A assistente social Ana Patrícia Pires Nalesso diz que a creche é um direito da criança, e que elas devem permanecer no local enquanto os pais estiverem trabalhando. "Os critérios de seleção das creches municipais não são corretos, toda criança tem direito de freqüentar a creche, inclusive aquelas cujos pais não trabalham." A assistente social ainda ressalta: "a creche não é um depósito de crianças e sim um local para a educação e socialização."


Babás podem não ser a melhor companhia


Especialista diz que a partir dos seis meses de vida a criança já necessita de acompanhamento pedagógico


Tiago Santos
Colocar uma criança de seis meses em uma creche pode ser, para muitos, "judiação", mas segundo a assistente social Ana Patrícia Píres Nalesso essa idade é o momento certo para a interação da criança com o mundo. "Nosso país, diferentemente do que prevíamos, já está se tornando um país maduro. Os casais de hoje optam apenas por um filho. Dessa forma, se o casal não trabalhar o processo de socialização com essa criança, colocando-a em uma creche, esse indivíduo pode crescer egocêntrico, muito tímido, sem limites." Ana Patrícia diz ainda que a creche não é mais um local de deixar as crianças enquanto trabalha, e sim um local de aprendizado. "A babá, por mais que seja qualificada, acaba passando costumes e manias para a criança. Já na creche, como são muitos profissionais, isso não acontece."

Ana Cristina Sanches tem uma filha de 1 ano e oito meses. Ela conta que nos primeiros meses de vida do bebê o levava para o trabalho. Quando a filha completou um ano conseguiu vaga na creche. "No início, ela chorava muito. Agora, quando dou banho e falo que vamos para a "escolinha" ela fica toda sorridente. Acho que o convívio com as outras crianças ajudou a desenvolver a fala mais rápido e a coordenação motora. Se ela estivesse em casa, estaria sendo bem cuidada, mas não estaria aprendendo nada disso."

A dificuldade de encontrar um bom lugar para a criança ficar, não é só das mães. Fábio Ferreira dos Santos trabalha à noite e tem um filho de 5 anos. Segundo Santos o horário que trabalha é difícil de conciliar com o horário de funcionamento das creches. "Esperei muito e graças a Deus consegui vaga em uma creche no centro da cidade, onde posso deixar meu filho, de 13h30 às 20h30. Assim, posso brincar com ele no período da manhã. À tarde deixo-o na creche e busco à noite."

A assistente social Ana Patrícia Nelosso diz acreditar na segurança que as creches oferecem. Para ela, existem profissionais qualificados nessas instituições. "Se houver caso de maus tratos a criança estará cercada de outros profissionais que logo identificarão o agressor. A possibilidade de sofrer agressões em casa com parentes ou babás é muito maior do que na creche", afirma a assistente.


Imagem/Prefeitura de Maringá
Crianças ficam no máximo 8 horas por dia na corujinha

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  Autor: Amanda Marques e Tiago Santos, 3º jornalismo


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