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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem

  08/09/2007
  1 comentário(s)


Equipe de varredeiras inova serviço em Maringá

As "Margaridas", primeira equipe feminina de limpeza urbana, inserem mulheres no mercado de trabalho e agrada a sociedade

Equipe de varredeiras inova serviço em MaringáVictor Cardoso
Se antigamente a mulher almejava apenas ser secretária ou professora, hoje ela demonstra que pode fazer a diferença em qualquer área. Exemplo disso é a primeira equipe feminina de varredeiras de Maringá. As Margaridas, como são conhecidas, formam um grupo de 13 mulheres que dão um toque feminino à limpeza das ruas da cidade. Trabalho anteriormente realizado por homens.

Desde a criação da Secretaria da Mulher, a administração procurava desenvolver algo para a inserção da mulher no mercado de trabalho. Com um concurso para Auxiliar de Serviços Gerais feminino já realizado, o projeto saiu do papel e foi para as ruas no dia 3 de julho. Em fase de testes a equipe deve ser fechada ao atingir o número de 15 membros, incluindo uma motorista e uma coordenadora. Por enquanto as Margaridas são coordenadas por Milton Domingues que passará o cargo, para quem realmente se destacar como líder.

Wagner Mussio, diretor de serviços públicos da prefeitura, diz que a rotina de trabalho da equipe feminina é a mesma da masculina e que a sociedade está respondendo às expectativas. "O primeiro trabalho delas foi na avenida Cerro Azul [região central]. Nossa idéia era colocar elas no centro, mas desenvolveu tão legal que resolvemos apresentá-las para à cidade. Onde elas estão fazendo o serviço todo mundo elogiou."

Um fator interessante no grupo é a faixa etária. Com média de 45 anos, elas conseguiram por meio do projeto um trabalho registrado. "Fiquei cinco anos sem conseguir nada por causa da idade e agora estou de volta ao mercado de trabalho. A intenção foi essa, prestar um concurso para conseguir segurança, porque já não tinha mais", diz a veterana Silvina Andrienco, 50, que trabalhava com contabilidade antes do novo emprego.

Segundo Mussio, seria menosprezar o trabalho do homem dizer que a equipe feminina está realizando melhor o serviço, porém admite ser do feitio da mulher o capricho, zelo e carinho em função do costume nas atividades domésticas. "Se vamos sentir alguma diferença, só o decorrer do tempo para dizer. Quando elas estiverem acostumadas, souberem o que estão fazendo e se gostaram realmente do serviço", completa.

A "Família das Margaridas", título dado à equipe pela integrante Sandra Matozo de Souza, 34, não é somente um grupo de trabalho, o serviço exige um esforço maior, mas todas estão unidas e se sentindo a vontade. "Eu não troco isso daqui por lugar nenhum, aqui você está livre, você pode ver o movimento, é bem gostoso. Vamos trabalhando, trocando receitas, falando dos netos, dos filhos o dia todo. E comemos que é uma maravilha", revela, animada.

O salário é de R$ 500 mensais, o mínimo pago aos servidores públicos pela prefeitura. Essa modalidade já é praticada em grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. Maringá pretende formar novas equipes de varredeiras.

Satisfação de Margaridas
reflete em bom trabalho


Equipe feminina de varrição pública se orgulha do trabalho realizado e agrada sociedade maringaense


Renata Mastromauro
Elas são mães, avós, filhas, mulheres. Todos os dias, acordam cedo e vão para a sede da SMSP (Secretaria Municipal de Serviços Públicos) para mais um dia de trabalho. Lá, lotam um ônibus, guiado também por uma mulher e, a cada dia, seguem para um local diferente da cidade. Elas são as Margaridas, como se orgulham de serem chamadas as primeiras varredeiras de rua de Maringá.

A rotina de trabalho é pesada, mas elas não se queixam. Pelo contrário: "é bom porque faço exercício físico. Sempre tive de fazer, mas tinha preguiça", diz Vera, 54. Para ela, além de fazer bem ao corpo, trabalhar como varredeira é bom para a mente. "Prefiro a rua. Se eu ficar fechada em casa, fico estressada."

Durante as oito horas diárias que trabalham pelas ruas de Maringá, as Margaridas têm alguns momentos de descanso. Nesses momentos, que geralmente passam dentro do ônibus, elas aproveitam para conversar, trocar experiências e manter a relação de família que, segundo elas, acabaram criando. "Se uma está doente, todo mundo se preocupa. Se outra está feliz, todo mundo fica feliz junto. Somos realmente uma família", diz Rita de Souza, 38, motorista do ônibus.

A Prefeitura de Maringá disponibilizou um kit completo de segurança, composto de uniforme, máscara, boné e sapatos resistentes. Mas, segundo as mulheres-garis, apesar de confortável, o uniforme é muito masculino. Então, para se diferenciarem dos colegas de profissão, elas fazem questão de dar um toque feminino no visual. "Coloco óculos [escuros], passo um batonzinho, passo um creminho, coloco um brinco...", brinca Sandra Matoso de Souza, 34. Preocupada com a saúde, insiste: "o filtro solar é indispensável".

A aceitação da sociedade é muito positiva. De acordo com Leonice Camargo, comerciante, as Margaridas estão fazendo um ótimo trabalho. "É legal ver como elas trabalham felizes, estão sempre sorrindo", diz. Para João Paulo Ruiz, estudante, as mulheres têm mais zelo com o que fazem.

O que parece, é que a sociedade não tem preconceito contra a equipe feminina. Segundo Vera, a discriminação vem de dentro de casa. "Minha família tem um pouco de preconceito e não apóia o meu trabalho. Mas eu sou feliz fazendo o que faço, e vou continuar", completa.

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Renata Mastromauro
Em momento de descanso, Margaridas "batem papo" no ônibus
  Autor: Victor Cardoso e Renata Mastromauro, 2º jornalismo


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