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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  16/06/2007
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Ex-obesos desistem do tratamento pós-cirúrgico
Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica percebem que estão emagrecendo e passam anão freqüentar psicólogos e médicos
Ex-obesos desistem do tratamento pós-cirúrgicoFernanda Steigenberg
Para pacientes da cirurgia de redução de estômago, a luta contra a ansiedade ocorre no pré e pós- operatório. Por esse motivo é necessário acompanhamento psicológico nas duas fases. Apesar disso, muitos abandonam a terapia logo após a cirurgia.

Os pós-operados que não voltam a freqüentar a terapia o fazem por achar desnecessário, já que, nos primeiros meses emagreceram por volta de 10 kg, fato que dificilmente ocorreu antes. A psicóloga Sonia Maria Rossi, 45, revela que já encontrou ex-pacientes na rua que, quando fizeram a cirurgia estavam com 150 kg; depois de emagrecerem chegaram a 70 kg e hoje estão com aproximadamente 110 kg. "Ninguém emagrece sem se organizar emocionalmente. A cirurgia é essencial, mas 75% é a pessoa quem faz, e para isso é necessário autoconhecimento. Por isso a terapia é importante", diz ela.

O médico Daud Nasser, 48, que trabalha com cirurgia bariátrica há 10 anos, afirma que no primeiro mês após a intervenção é necessário que o paciente faça dieta liquida. "Às vezes o paciente sente certo desconforto e enjôo, mas a dieta é importante para melhor cicatrização". Ele diz perceber que muitos pacientes não gostam de fazer o controle da alimentação, exames e encontram dificuldade em relação à ingestão de menor quantidade de alimentos.

Tanto Sonia Maria Rossi como a também psicóloga Kezia Nakagawa, 29, afirma a existência de pacientes que no primeiro mês ingerem, por exemplo, muito leite condensado e sorvete, que são líquidos, muito calóricos, e acabam por não conseguir atingir a meta desejada.

Segundo Kezia Nakagawa, os obesos ficam obcecados com a idéia de corpo, pois o mundo social não é adequado a eles. Por exemplo, as catracas do transporte coletivo ou poltronas do cinema não se adequam aos seus tamanhos. Então tentam suprir a ansiedade comendo. "É necessário que o paciente esteja consciente das mudanças que sofrerá. Renunciar o prazer de comer em favor da saúde. Só então, ele estará pronto para a cirurgia", afirma ela.

A cirurgia bariátrica é uma alternativa para que é obeso, játentou diversas dietas, não obteve resultado e pretende melhorar a qualidade de vida. "Essa é uma cirurgia de baixo risco", diz Daud Nasser.

Transformação melhora vida da ex-obesos


Controvérsias quanto aos supostos riscos de cirurgia inibem pessoas acima do peso de procurarem ajuda médica


Gutembergue Lima
Perder boa parte do peso a partir de uma nova rotina alimentar além de redesenhar o físico, gera mudanças no comportamento dos ex-obesos. Para prestar suporte a essas pessoas é que grupos terapêuticos foram criados. Mylene Cavallini Treichel é uma das freqüentadoras e há seis meses sua vida era marcada por medo e baixa auto-estima. No cotidiano da operadora de atendimento imperava o descontrole alimentar, tanto nos horários como na dieta. Após a cirurgia que mudou radicalmente seu modo de vida, Mylene perdeu 36 dos 114 quilos que pesava. "Eu não era obesa mórbida, mas os quilinhos me incomodavam", justifica.

Reduzir a capacidade de absorção do estômago pode custar caro. Mylene teve de desembolsar R$ 5 mil como parte do pagamento da cirurgia " o restante foi quitado pelo plano de saúde. O valor é semelhante ao preço médio de uma cirurgia plástica de lipoaspiração " que varia de R$ 5 mil a R$ 10 mil.

E não só o dinheiro pode ser um obstáculo para realizar a cirurgia. "As pessoas têm medo. Não posso correr o risco de deixar meu filho só", afirma Mariana Bittencourt. Ela é um exemplo das pessoas que estão acima do peso e receiam risco de morte com o procedimento cirúrgico. "A gente sempre morre de medo. Eu mesma pensei muito bem antes de aceitar ser operada. Optei por esperar a cirurgia e recuperação dos meus parentes para criar coragem", conta Mylene Cavallini.

Tanto esforço para elevar não só a qualidade de vida, mas para atingir padrões estéticos de beleza. "Não é nem tanto pela saúde e sim pela estética mesmo. A gente tem de se cuidar para os outros", afirma Mariana. Quem está acima do peso se preocupa com a opinião não só dos estranhos na rua, mas principalmente com a própria família. "Eu não agüentava mais ter de fazer regime. Eu sempre fazia e engordava o dobro. Temi que minha filha me visse assim e começasse a comer engordar", relembra Mylene Cavallini.

Segundo o Instituto Boa Saúde de São Paulo, um risco comum das operações restritivas, como a que Mylene fez, são os vômitos, causados quando o estômago reduzido é excessivamente preenchido por alimentos mal mastigados. Segundo dados do instituto, em menos de 1% de todos os casos, infecção ou morte devido a complicações podem ocorrer. "Tem gente que passa mal com facilidade. Eu não tenho esse tipo de reação. Nada que uma boa dormida ou caminhada não possa melhorar", ameniza Mylene, que agora tem de se alimentar com sua nova dieta a cada duas horas.

Nas reuniões mensais do grupo terapêutico de ex-obesos, Mylene Cavallini se reúne para trocar experiências e refletir sobre seus novos hábitos. O suporte psicológico pode ajudar no processo de reintegração dessas pessoas. "Mudou tudo na minha vida. A disposição e auto-estima melhoraram. Eu estava péssima", enfatiza.

Imagem/www.exgordo.com.br
Pessoas buscam na cirurgia elevar auto-estima e beleza

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  Autor: Fernanda Steigenberg e Gutembergue Lima, 3º jornalismo


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