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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  15/09/2007
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Maringá tem mais de 250 idosos em asilos
Independentemente do motivo pelo qual estejam no abrigo, psicóloga diz que o desejo de ter uma família é constante
Maringá tem mais de 250 idosos em asilosJaqueline Souza
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Sasc) calcula que cerca de 250 idosos de Maringá e região vivem nos nove asilos da cidade. Apenas um é governamental, Casa Lar Benedito Franchini. Dados do censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que em 2020 o maior aumento estimado para a cidade é de habitantes com 80 anos ou mais, que deverá chegar à marca de 9.081 indivíduos. Número 213% superior ao do registrado no censo de 2000.

De acordo com o IBGE, em uma década, o número de idosos no Brasil cresceu aproximadamente 50%. Em 1991, eram 2,4 milhões (1,6%) e, em 2000, esse número subiu para 3,6 milhões (2,1%). O instituto aponta que em 2003 a expectativa de vida, para ambos os sexos, chegou ao patamar dos 71,3 anos, devido, principalmente, ao avanço da saúde. Diante desse cenário, Sandra de Cássia Franchini da Costa, secretária da Sasc, informa que recentemente foi inaugurada a Casa Lar Benedito Franchini e que ampliações nos programas de atendimento ao idoso estão previstas. "A Casa Lar pegou fogo e foi reconstruída, aumentando dez vagas nas já existentes. O Centro Dia está em reforma e ampliações para melhor atender os idosos que passam parte do dia [manhã e tarde] na instituição."

A assistente social da Sasc responsável pelo atendimento de idosos, Maria Cristina Cândido, conta que a procura por asilos tem aumentado, principalmente pelo sexo masculino, e que, às vezes, é o próprio idoso quem faz a solicitação, mas ela esclarece que na maioria dos casos são os familiares que os encaminham. "O que ocorre são situações de vulnerabilidade familiar, que deixa os idosos em situações de risco, maus-tratos ou abandono material dentro de sua própria família."

Maria Cristina explica que nos asilos particulares as vagas são garantidas, mas na instituição pública, devido à grande procura, é necessário fazer uma avaliação. "Para a instituição governamental o critério é a falta de família e/ou a vulnerabilidade em que o idoso se encontra. Nas entidades não-governamentais, a seleção é feita por critérios próprios de cada uma, optando, na maioria dos casos, por idosos com poucos problemas de saúde, lúcidos, independentes ou semi-independentes." A secretária da Sasc, Sandra Franchini da Costa, diz ver nas entidades de assistência social uma ajuda essencial nesse trabalho. "As entidades não-governamentais são importantes parceiros na garantia dos direitos dos idosos."

A psicóloga Maristela Marcon é responsável por atender os idosos nos programas governamentais Centro Dia e Casa Lar Benedito Franchini. Ela explica que o acompanhamento dos idosos no Centro Dia é realizado por meio de grupo de convivência, com temas relativos à fase da vida em que se encontram. "Em alguns casos é feito atendimento individual, conforme necessidade. Também pretendemos trabalhar com os familiares." Já na Casa Lar, ela diz que o acompanhamento é mais freqüente, contendo até orientações com a equipe de atendimento imediato.

Maristela diz que o cuidado com os idosos deve ser igual em todos os atendimentos, levando em consideração a rotina diária. "É necessário observar, escutar com muita atenção os idosos. É importante conhecer a história de vida, os motivos pelos quais ele [o idoso] se encontra em um abrigo." Ela informa que a maioria dos idosos abrigados tem problemas de saúde, alguns até com doenças neurológicas degenerativas e, mesmo com a dificuldade, há a vontade de se ter uma família. "O desejo de um convívio com a família é presente em todos eles, mesmo que se trate de uma família idealizada."

A psicóloga coloca que existe vínculo afetivo dos idosos com os profissionais das instituições, devido ao contato freqüente, mas que isso não substitui as relações familiares. Maristela explica que o abrigo de longa permanência é preciso quando a família não consegue permanecer com o idoso ou quando ele não tem família, mas que "nada substitui um lar acolhedor". No entanto, ela deixa claro: "pode-se dizer que o abrigo é a melhor opção em muitos dos casos".


Idoso vê no asilo um novo jeito de viver


Visitas, conversa amiga e atenção são algumas das características que fazem do abrigo algo mais familiar, um lar


Durval Dorne
Em um quarto da Casa Lar Benedito Franchini (asilo governamental) com duas camas, violão, cavaquinho e um criado-mudo com microsystem, seo Francisco Alves da Silva, 68, costuma ler a Bíblia pelo menos uma vez ao dia, conversar com amigos e tocar os hinos preferidos da igreja. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele é um dos quase 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos no Brasil (8,6% da população) e dos mais de 25.875 em Maringá.

Depois de um derrame e de aproximadamente 90 dias em coma no ano passado, seo Francisco passou por extenso período de recuperação e, hoje, no asilo " chamado de abrigo de longa permanência pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) " já consegue realizar qualquer atividade sozinho. "Antes não conseguia nem parar sentado na cama, mas depois da ajuda que recebi, já consigo até tomar banho sozinho. Não dependo mais de ninguém", conta Francisco. Ele revela que o asilo é como um lar e em nenhum momento diz sentir falta de carinho ou atenção, pois considera viver em família. "Aqui somos muito bem tratados, a psicóloga [Maristela Marcon] é a filha que tenho e não tenho", brinca.

Francisco e mais nove idosos vivem na Casa Lar do Idoso e contam com o trabalho, além de outros profissionais, da cuidadora de idosos Damaris Mariano da Silva Silva, 43. Ela diz trabalhar há seis anos nessa área e há um mês na Casa Lar. Damaris revela que gosta do trabalho que realiza e que sente prazer em ajudar outras pessoas. "É muito bom saber que nosso trabalho pode ajudar tanto aos outros. A gente se sente satisfeita", explica. Segundo ela, muitas vezes, os cuidadores acabam substituindo os amigos, irmãos, filhos e netos dos idosos que não os visitam e que, por isso, é necessário dar atenção redobrada a eles. "A família [dos idosos] deveria perceber a falta que faz na vida deles e como é importante uma conversa no final de tarde debaixo de uma árvore, por exemplo."

Seo Francisco diz que é muito bom receber visitas, ter com quem conversar. "Às vezes é preciso ter alguém para nos ouvir. A gente coloca pra fora tudo o que está incomodando, e isso faz com que a gente se sinta muito melhor. Gosto quando a psicóloga conversa com a gente, e as pessoas da igreja católica ou evangélica vêm rezar aqui conosco." Seo José de Souza, 62, chegou à Casa Lar há um mês, depois de ter ficado alguns dias no albergue. Para ele, que diz não ter ninguém da família para ajudá-lo, estar no asilo não o incomoda. "Aqui é muito bom. Tem comida, sala com televisão, pessoas para conversar e ajudar se preciso."

Contar piadas, propor charadas e jogar "conversa fora" é o que seo Franciso diz gostar de fazer. Para ele, a Casa Lar é o melhor lugar para estar no momento. Franciso diz acreditar que a saudade não faz parte da vida dele. "Olha, não posso dizer que tive infância, pois foi muito sofrida. Hoje não falo que sinto saudades, pois sou feliz com o agora." Ele revela que ainda tem dois sonhos a realizar: "o primeiro, é encontrar uma mulher pra passar o tempo comigo, conversar, viver junto, um ajudando o outro. O segundo, é que Deus me dê cada vez mais 'graças' para saber ouvir suas palavras e com elas poder ajudar o outro".

Imagem/Durval Dorne
"Não falo que sinto saudades; sou feliz agora", diz Francisco

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  Autor: Jaqueline Souza e Durval Dorne, 3º jornalismo


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